Valor de ativos à venda no Brasil chega a R$ 150 bilhões

08/11/2015 19:57

Ueslei Marcelino/Reuters

Tanque da Petrobras em Brasília

Só a Petrobras quer levantar US$ 15,1 bilhões em 2015 e 2016 com a venda de ativos

Naiana Oscar e Mônica Scaramuzzo, do Estadão Conteúdo

São Paulo - O Brasil tem, neste momento, cerca de R$ 150 bilhões em ativos à venda, segundo cálculos feitos por bancos de investimentos, obtidos pelo Broadcast. Mas nem todos os negócios disponíveis no mercado mudarão de mãos tão fácil.

Parte desses ativos foi colocado à venda para dar maior liquidez às empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobras.

Outra parte de desinvestimentos reflete o movimento de encolhimento de alguns grupos, que buscam, em momentos de crise, focar em seus principais negócios e vender ativos considerados não estratégicos.

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"Nem todos os ativos colocados à venda por conta da Lava Jato serão vendidos. Apesar de estar barato, investidores estrangeiros ficam mais criteriosos em fechar negócios no Brasil, sobretudo quando envolvem companhias que são reguladas pelo governo, como é o caso de energia, por exemplo", disse uma fonte do mercado financeiro ao Estadão. "Mesmo assim, o setor de infraestrutura é o que mais deve receber aportes de capital internacional."

O maior plano de desinvestimento em andamento é o da Petrobras. A estatal tem em pauta um ambicioso plano de venda de ativos, com estimativa de levantar US$ 15,1 bilhões em 2015 e 2016. A expectativa do mercado é que, ao fim desse processo, a Petrobras voltará a ser uma empresa de produção e exploração de petróleo.

Dívida

A CSN, altamente endividada, é outra empresa que colocou ativos à venda para focar em seus principais negócios: siderurgia e mineração. Hoje, o grupo também atua em logística, energia e cimento. Fontes afirmaram que o Tecon (Terminal de Contêineres), em Sepetiba (RJ), já está em negociações avançadas.

A Usiminas é outra siderúrgica que planeja se desfazer de ativos para reduzir sua pesada dívida. Já a Vale vem reorganizando seu portfólio, com o intuito de manter os ativos mais geradores de caixa. Pesam contra as siderúrgicas e mineradoras o cenário adverso dos preços das commodities e excesso de produção global.

Outro setor com problema estrutural é o sucroalcooleiro. Endividadas, as usinas buscam sócios ou venda de controle para ganhar fôlego.

 

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