“Super Mario” entra pelo cano e decepciona mercados

02/08/2012 14:44

 

Bolsas em todo o mundo operam em queda após a ausência de novas medidas

  
Size_80_gustavo-kahil
Gustavo Kahil, de
 
 
Beatriz Blanco/EXAME.comIlustração mostra o presidente do BCE, Mario Draghi, entrando pelo cano em uma alusão ao jogo Super Mario

Draghi pediu para não apostar contra o euro, mas quem fez isso até agora se saiu bem

São Paulo – Esta quinta-feira era visto por muitos como o “dia D” para os mercados financeiros. Não era por menos. Na semana passada, os comentários do presidente do Banco Central Europeu , Mario Draghi, tinham criado uma enorme expectativa para a reunião da autoridade monetária nesta manhã. Porém, ao contrário do esperado, nada foi anunciado.

As bolsas passaram ao campo negativo em todo o mundo após a decisão do BCE. No Brasil, o Ibovespa abriu em queda e, na mínima do dia, registrou uma baixa de 1,4%. O pior cenário ficou para os mercados europeus. Na Espanha, o IBEX 35 marcou uma queda de 5,22% e, na Itália, o MIB recuou 4,2%. Em Wall Street, as bolsas também recuam.

“Acredito que a resposta cética dos mercados é compreensível, mas eu alertaria que é provável que Draghi prossiga com medidas de fato. Mas, é condicional que os governos também o sigam”, ressalta Charles Diebel, chefe de estratégia de mercado do Lloyds, em uma nota enviada para EXAME.com. Para ele, o discurso do presidente deixou a porta aberta para um “grande plano” nas próximas semanas.

O italiano “Super Mario”, que tem o apelido em alusão ao personagem do videogame e por ter salvado o seu país da bancarrota na década de 1990, entrou pelo cano. Ao contrário de medidas concretas, os investidores tiveram que se contentar apenas com promessas. Draghi disse que para atuar com firmeza precisa do comprometimento dos países.

“Hoje ele anunciou que o BCE aprovou nada de concreto e que precisará de mais algumas semanas para conseguir realizar essa tarefa urgente. Foi um sinal ruim, que demonstra a forte oposição que essa política encontra junto ao Bundesbank e ao governo alemão. Como resultado, os mercados caíram em toda Europa, nos EUA e no Brasil”, diz Pedro Paulo Silveira, economista da TOV Corretora.

O que pode ser feito?

Draghi disse que possui ferramentas disponíveis para salvar a moeda única e que o “euro é irreversível”. Ele explicou que os países têm enfrenado problemas por conta das taxas de juros “excepcionalmente altas” nos mercados de títulos públicos, mas que o prêmio cobrado pelo mercado por conta de uma eventual ruptura do euro “são inaceitáveis e devem ser enfrentadas”. Para isso, contudo, o presidente-super-herói passou a bola para os governos.

 “A fim de criar as condições fundamentais para que tais prêmios de riscos desapareçam, os formadores de políticas monetária precisam avançar com a consolidação fiscal, reforma estrutural e a construção institucional europeia com grande determinação”, disse em seu discurso após a decisão que manteve o juro da região em 0,75% ao ano. A taxa tinha sido cortada em 25 pontos-base no último encontro em julho.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulgou uma nota de apoio à Draghi, mas salientou que uma atuação nos mercados poderia ajudar. “Assim como também enfatizamos, a política monetária sozinha não pode resolver os problemas enfrentados pela zona do euro. Apesar disso, um relaxamento monetário e um suporte não convencional poderia aliviar as tensões enquanto as políticas são implantadas e surtem efeito”, mostra a nota. 

Condições

O BCE reforçou que poderia retomar a sua atuação nos mercados de dívida caso os países em apuros solicitassem a intervenção do fundo europeu de resgate (FEEF). "O Conselho de Governo, dentro de seu mandato de manter a estabilidade de preços a médio prazo e no respeito de sua independência para determinar a política monetária, poderia realizar operações no mercado secundário de um tamanho adequado para alcançar seu objetivo". 

“Parece que não há chance de o BCE intervir nos mercados primários [ou seja, comprar títulos diretamente dos governos], e qualquer intervenção nos mercados secundários só virão após a Espanha e a Itália pedirem ajuda”, explica Azad Zangana, economista do banco Schroders, em uma nota. Para ele, é muito frustrante a falta de detalhes sobre como a ajuda do BCE será feita.

“Draghi alertou aos investidores para que não apostassem contra o euro. O problema, Sr. Draghi, é que aqueles que fazem isso têm se saído muito melhor neste ano até agora”, provoca Zangana.

 

 

Últimas Notícias

Natura confirma negociação para compra da Avon via troca de ações

22/05/2019 17:13
Empresa ponderou que não há como garantir que vai concluir de fato a transação Avon: Natura confirmou a informações de que está negociando a compra da rival norte-americana (Brendan McDermid/Reuters) São Paulo – A Natura confirmou nesta quarta-feira informações da imprensa de que...

Bolsa sobe com negociação EUA-China e reforma da Previdência

09/01/2019 11:41
Às 10:04, o Ibovespa subia 0,13 por cento, a 92.148,68 pontos Por Reuters Bovespa: bolsa sobe (Paulo Whitaker/Reuters) São Paulo – A bolsa paulista começava a quarta-feira com o Ibovespa em alta, alinhada ao tom positivo no exterior, em meio a expectativas de que Estados...

J&F discute repactuar leniência e pode confessar insider trading

22/01/2018 18:51
J&F discute repactuar leniência e pode confessar insider trading Leniência do grupo, fechada no final de maio do ano passado, prevê o pagamento de uma multa recorde no valor de 10,3 bilhões de reais durante 25 anos. J&F: acordo de leniência ficou em xeque após os irmãos...

Caixa mais que dobra lucro no 3º tri, para R$ 2,17 bi, diz BC

30/11/2017 16:31
Caixa mais que dobra lucro no 3º tri, para R$ 2,17 bi, diz BC As despesas da Caixa com pessoal somaram R$ 5,59 bi entre julho e setembro, número praticamente em linha com o mesmo período do ano passado Por Aluisio Alves, da Reuters Caixa: a soma das receitas com tarifas e...

Excesso de liquidez pressiona grandes bancos brasileiros

30/11/2017 15:57
Os maiores bancos do Brasil têm tantos ativos de alta liquidez que estão tentando se livrar deles. Por Cristiane Lucchesi e Felipe Marques, da Bloomberg Pessoas passam por agência do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro (Pilar Olivares/Reuters) Os maiores Bancos do...

Dívida de irmãos Batista dispara com negócio familiar

05/07/2017 18:26
Dívida de irmãos Batista dispara com negócio familiar Os irmãos que estão no epicentro do mais recente escândalo de corrupção do Brasil compraram as participações de suas três irmãs na J&F Investimentos Por Gerson Freitas Jr., Cristiane Lucchesi e Felipe Marques, da...

Gávea Investimentos negocia venda de fatia na Azul, dizem fontes

08/12/2016 10:57
Segundo fontes, a Gávea quer vender sua participação na Azul e os atuais acionistas devem comprar a fatia Por Fabiola Moura e Jessica Brice, da Bloomberg     Azul: participação da Gávea na empresa foi avaliada em R$ 212,5 milhões (Getty Images) A gestora de ativos brasileira Gávea...

Gol tem queda de 6,7% na oferta doméstica.

12/08/2016 10:57
  São Paulo - A Gol registrou queda de 6,7% na oferta doméstica em julho em comparação com o mesmo mês de 2015. A companhia justificou em comunicado que o dado "seguiu a tendência de adequação". Houve retração também no acumulado do ano até julho, de 6,4% comparativamente a...

Kroton aumenta oferta pela Estácio e se aproxima de fusão

02/07/2016 16:18
Ricardo Moraes/Reuters Estácio: se concretizado, o negócio com a Kroton é avaliado em R$ 5,5 bilhões Cátia Luz, do Estadão Conteúdo Fernanda Guimarães, do Estadão Conteúdo Gabriela Melo e Márcio Rodrigues, do Estadão Conteúdo São Paulo - Líder do ensino superior privado do...

Caixa precisará de injeção de até R$ 25 bi, dizem fontes

06/06/2016 23:40
Andrevruas/Wikimedia Commons Agência da Caixa: banco necessita de uma injeção de capital de até R$ 25 bilhões (US$ 7 bilhões), ou cerca de 2 por cento da arrecadação federal em 2015, segundo um analista Cristiane Lucchesi e Francisco Marcelino, da Bloomberg Em seu primeiro mês...
1 | 2 | 3 | 4 | 5 >>