Petrobras cria precedente perigoso ao não pagar dividendo

19/05/2015 21:23

Paulo Whitaker/Reuters

Logo da Petrobras visto em frente prédio da companhia em São Paulo

Logo da Petrobras em frente prédio da companhia: a Petrobras informou que não pagaria dividendos para preservar o caixa

Paula Arend Laier, da REUTERS

São Paulo - O não pagamento de dividendos pela Petrobras aos acionistas preferencialistas pode "depreciar definitivamente" a atratividade dessa classe de ações, criando um precedente perigoso no mercado de capitais brasileiro, avaliou nesta terça-feira o gestor Alexandre Póvoa, sócio na Canepa Asset Management.

Em abril, quando divulgou com meses de atraso seu balanço auditado do ano passado com prejuízo de 21,6 bilhões de reais, a Petrobras informou que não pagaria dividendos para preservar o caixa, apesar de ter cerca de 100 bilhões de reais em reservas de lucro.

Póvoa argumentou, em relatório a clientes, que a vantagem da ação preferencial reside, quando faltam recursos, na garantia de um valor mínimo "teoricamente garantido" - no caso, pela reserva de lucros.

"Em troca dessa vantagem, o preferencialista abre mão do seu direito a voto. Esse é o conceito básico ensinado aos investidores de geração em geração, há décadas, desde os tempos da saudosa Bolsa do Rio de Janeiro, na Praça XV", disse o gestor em relatório.

ADVERTISEMENT

Diante do não pagamento dos dividendos sobre o exercício de 2014, o gestor questiona qual a razão que levaria um "investidor racional" a optar pela compra de uma ação PN ao invés uma ordinária, com direito a voto.

Nesse contexto, Póvoa, autor de livros sobre precificação de ações, avalia que a tendência de abertura do diferencial de cotações entre os papéis ON sobre os preferenciais, observada nos último tempos, deve continuar.

Em 2015, as ações ordinárias da Petrobras acumulam ganho de quase 45 por cento, enquanto os papéis preferenciais sobem um pouco menos de 30 por cento.

CLIQUE AQUI E TESTE SUA PLATAFORMA DE NEGOCIAÇÃO GRÁTIS.

O sócio da Canepa também avalia que a decisão da empresa deverá dificultar muito as captações futuras a partir do uso de ações preferenciais.

"A empresa já declarou que não pretende fazer nenhuma capitalização em 2015. Porém, a partir de 2016, a nova realidade poderá obrigar a empresa a dispor da emissão de ações ordinárias para futuras emissões, o que limita muito o potencial de captação, dado que o governo tem dificuldades fiscais e não deseja ver sua a sua participação diluir", afirmou.

Ele também não descarta risco em outras companhias.

"Essa deterioração da percepção quanto à qualidade de uma ação preferencial não é um "almoço grátis" para as empresas", disse Póvoa, avaliando que as companhias que sempre primaram em usar esse papel em emissões secundárias poderão ter dificuldades em convencer os investidores a partir de agora.

 

Últimas Notícias

Natura confirma negociação para compra da Avon via troca de ações

22/05/2019 17:13
Empresa ponderou que não há como garantir que vai concluir de fato a transação Avon: Natura confirmou a informações de que está negociando a compra da rival norte-americana (Brendan McDermid/Reuters) São Paulo – A Natura confirmou nesta quarta-feira informações da imprensa de que...

Bolsa sobe com negociação EUA-China e reforma da Previdência

09/01/2019 11:41
Às 10:04, o Ibovespa subia 0,13 por cento, a 92.148,68 pontos Por Reuters Bovespa: bolsa sobe (Paulo Whitaker/Reuters) São Paulo – A bolsa paulista começava a quarta-feira com o Ibovespa em alta, alinhada ao tom positivo no exterior, em meio a expectativas de que Estados...

J&F discute repactuar leniência e pode confessar insider trading

22/01/2018 18:51
J&F discute repactuar leniência e pode confessar insider trading Leniência do grupo, fechada no final de maio do ano passado, prevê o pagamento de uma multa recorde no valor de 10,3 bilhões de reais durante 25 anos. J&F: acordo de leniência ficou em xeque após os irmãos...

Caixa mais que dobra lucro no 3º tri, para R$ 2,17 bi, diz BC

30/11/2017 16:31
Caixa mais que dobra lucro no 3º tri, para R$ 2,17 bi, diz BC As despesas da Caixa com pessoal somaram R$ 5,59 bi entre julho e setembro, número praticamente em linha com o mesmo período do ano passado Por Aluisio Alves, da Reuters Caixa: a soma das receitas com tarifas e...

Excesso de liquidez pressiona grandes bancos brasileiros

30/11/2017 15:57
Os maiores bancos do Brasil têm tantos ativos de alta liquidez que estão tentando se livrar deles. Por Cristiane Lucchesi e Felipe Marques, da Bloomberg Pessoas passam por agência do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro (Pilar Olivares/Reuters) Os maiores Bancos do...

Dívida de irmãos Batista dispara com negócio familiar

05/07/2017 18:26
Dívida de irmãos Batista dispara com negócio familiar Os irmãos que estão no epicentro do mais recente escândalo de corrupção do Brasil compraram as participações de suas três irmãs na J&F Investimentos Por Gerson Freitas Jr., Cristiane Lucchesi e Felipe Marques, da...

Gávea Investimentos negocia venda de fatia na Azul, dizem fontes

08/12/2016 10:57
Segundo fontes, a Gávea quer vender sua participação na Azul e os atuais acionistas devem comprar a fatia Por Fabiola Moura e Jessica Brice, da Bloomberg     Azul: participação da Gávea na empresa foi avaliada em R$ 212,5 milhões (Getty Images) A gestora de ativos brasileira Gávea...

Gol tem queda de 6,7% na oferta doméstica.

12/08/2016 10:57
  São Paulo - A Gol registrou queda de 6,7% na oferta doméstica em julho em comparação com o mesmo mês de 2015. A companhia justificou em comunicado que o dado "seguiu a tendência de adequação". Houve retração também no acumulado do ano até julho, de 6,4% comparativamente a...

Kroton aumenta oferta pela Estácio e se aproxima de fusão

02/07/2016 16:18
Ricardo Moraes/Reuters Estácio: se concretizado, o negócio com a Kroton é avaliado em R$ 5,5 bilhões Cátia Luz, do Estadão Conteúdo Fernanda Guimarães, do Estadão Conteúdo Gabriela Melo e Márcio Rodrigues, do Estadão Conteúdo São Paulo - Líder do ensino superior privado do...

Caixa precisará de injeção de até R$ 25 bi, dizem fontes

06/06/2016 23:40
Andrevruas/Wikimedia Commons Agência da Caixa: banco necessita de uma injeção de capital de até R$ 25 bilhões (US$ 7 bilhões), ou cerca de 2 por cento da arrecadação federal em 2015, segundo um analista Cristiane Lucchesi e Francisco Marcelino, da Bloomberg Em seu primeiro mês...
1 | 2 | 3 | 4 | 5 >>