O que ainda pode piorar para Eike, após calote da OGX

01/10/2013 20:27

Pedir recuperação judicial da OGX é apenas uma das dores de cabeça que podem vir

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Márcio Juliboni, de

Jonathan Alcorn/ Bloomberg

Eike Batista, CEO da EBX

Eike Batista, fundador da OGX: calote da petrolífera pode ser apenas o começo de mais dores de cabeça

São Paulo – Em recente entrevista ao influente The Wall Street Journal, Eike Batista culpou, entre outros, os astros pela má fase nos negócios. Literalmente, ele declarou: "se você olhar para o meu mapa astrológico, esse período não foi favorável para mim. O bom momento? Ele já começou, literalmente, este mês.” O problema é que o calote da OGX mostra que o inferno astral de Eike ainda não passou.

A suspensão do pagamento de 45 milhões de dólares em juros que a petrolífera de Eike deve aos detentores de notes já era amplamente esperada pelo mercado, dada a sua anêmica situação de caixa. Sua confirmação, porém, pode gerar um efeito-dominó que pioraria em muito a situação do ex-bilionário.

Algumas possíveis consequências seriam:

Recuperação judicial da OGX

O calote no pagamento dos juros só reforça a impressão de que a OGX se prepara para pedir recuperação judicial. Seria um arranhão e tanto na imagem de Eike por alguns motivos. O primeiro é, obviamente, reconhecer que os planos da OGX fizeram água e que, em vez de se tornar uma “mini-Petrobras”, a empresa virou um grande problema para credores e fornecedores.

Outro motivo é que a OGX seria a primeira empresa integrante do Ibovespa, o principal indicador da bolsa de valores brasileira, a pedir recuperação judicial – algo que pode embaraçar muita gente, além do próprio Eike.

Por fim, a recuperação judicial da OGX submeteria a gestão da empresa a uma assembleia de credores – o que retiraria praticamente todo o poder de Eike sobre a companhia.

Recuperação judicial da OSX

Uma vítima da recuperação judicial da OGX seria a sua coirmã OSX, fundada por Eike para construir e gerir as plataformas de petróleo e demais embarcações da petrolífera. Cresce, no mercado, a avaliação de que a OSX teria que seguir o mesmo caminho da OGX e pedir amparo da lei para se reorganizar.

Hoje, a OGX é a maior cliente da OSX. Seria um golpe e tanto nos planos de Eike, que chegou a apresentar a OSX como a “Embraer dos mares”, durante as apresentações da empresa a investidores.

 

Execução da dívida de US$ 1 bilhão com a OGX

O contrato de injeção de 1 bilhão de dólares na OGX determina que Eike só não seria obrigado a arcar com sua obrigação, se deixasse de ser o dono da empresa. O que o contrato não esclarece é se essa condição vale, também, para o caso de Eike vender o controle da OGX após a empresa exercer seu direito de cobrar o dinheiro – coisa que aconteceu no começo de setembro.

Parte dos analistas acredita que, mesmo vendendo a empresa ou sendo diluído num aporte de capital, Eike já virou devedor da OGX, pois a empresa já exerceu sua opção – e o dinheiro não chegou ainda.

Execução de outras dívidas

Não é só para a OGX que Eike deve dinheiro. Um grande credor é o fundo soberano de Abu Dhabi, o Mubadala. Mesmo resgatando parte do dinheiro que os árabes aplicaram no Grupo EBX, Eike ainda deveria cerca de 1,5 bilhão de dólares ao Mubadala.

Como garantia, Eike teria dado bens pessoais e ações de suas empresas. Recentemente, a coluna Radar, de Veja, informou que, entre essas garantias ao Mubadala, está a fatia de 50% que Eike possui no festival Rock in Rio – o que impede o criador do evento, Roberto Medina, de recomprá-la sem o aval dos árabes.

O Mubadala e Eike teriam chegado a um acordo para que a EBX pague o resto da dívida até 2107.

Garantias incertas

Eike pode ter que dar suas garantias em troca das dívidas que fez para investir o Grupo EBX, inclusive com o BNDES. O problema é que boa parte delas são lotes de ações de suas empresas. Como a crise de confiança do mercado arrasou o valor das companhias na bolsa, essas garantias valem bem menos do que na época em que serviram de calço para empréstimos, por exemplo.

Os bancos já perceberam o problema. Em julho, o Itaú e o Bradesco aceitaram dar mais prazo para que as empresas de Eike paguem as dívidas que venceriam nos próximos 12 meses, estimadas em 1,5 bilhão de reais com os dois.

Em troca, porém, exigiram garantias reais para a rolagem, como imóveis e contas a receber das empresas envolvidas. A dúvida que persiste, porém, é se essas garantias reais são suficientes para cobrir todos os compromissos.

Com tantas variáveis ameaçando os negócios de Eike, é bom mesmo que os astros estejam a seu favor, como ele afirmou ao WSJ.

 

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