O psicólogo que pode ser o “novo Abilio” do Pão de Açúcar

09/09/2013 19:47

Ronaldo Iabrudi é o representante do Grupo Casino no Brasil; ex-presidente da Telemar, o mineiro é um dos cotados para comandar o conselho do Pão de Açúcar

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Márcio Juliboni, de

CAROL CARQUEJEIRO/Valor Econômico

Ronaldo Iabrudi, representante do Casino no Brasil, em foto de 2005

Ronaldo Iabrudi: cotado para substituir Abilio, executivo teve passagem conturbada pela Telemar

São Paulo – A saída de Abilio Diniz do Pão de Açúcar colocou fogo no mercado de apostas sobre quem vai substituí-lo na presidência do conselho do grupo fundado por seu pai, há 65 anos. Por ora, um dos mais cotados é Ronaldo Iabrudi, representante do Grupo Casino no Brasil.

Caso Iabrudi seja confirmado no posto, terá protagonizado uma ascensão meteórica ao comando da maior rede de varejo do país. Isto porque o executivo foi contratado no início de junho como representante dos interesses do Casino no Brasil. Um mês depois, ele já era indicado para assumir um assento no conselho de administração do Pão de Açúcar.

No comunicado em que apresentou Iabrudi como seu homem forte no Brasil, há três meses, o Casino o qualificou como “um executivo altamente experiente”, e sua contratação reafirmava “o compromisso [do Casino] com o Brasil.”

O cortador de custos

Iabrudi pode não ser uma celebridade do mundo dos negócios, como Abilio Diniz, mas sua atuação à frente de grandes empresas mostra como seu estilo foi forjado – e um pouco do que estaria esperando o Pão de Açúcar.

Seu maior cartão de visitas foi a presidência da Telemar (atual Oi), entre 2001 e meados de 2006. Foi ali que Iabrudi viveu seus melhores dias, com resultados elogiados por analistas, e também a sua maior guerra corporativa. E, nesses episódios, apurou seu estilo de atuação.

Iabrudi foi contratado pela Telemar em 2000, para dirigir as operações do Nordeste. Seus resultados na região o levaram para o topo da hierarquia. Em julho de 2001, ele assumiu a presidência da empresa, com a missão de torná-la mais enxuta, racional e lucrativa.

E o executivo não se fez de rogado. A reestruturação, lançada em agosto daquele ano, unificou as operações das 16 empresas controladas pela holding, abateu 120 milhões de dólares em custos e reduziu o número de funcionários de 20.629 para 11.886. Tudo isso em apenas um ano.

Poderia se esperar um estilo mais brando de gestão de um psicólogo formado pela PUC de Minas Gerais, com mestrado em Formação de Adultos, mas o foco em resultados deu o tom de sua gestão. Conta-se que, em uma das rodadas de cortes, Iabrudi demitiu 30 diretores na véspera de Natal.

Conflitos

Mas a gestão de Iabrudi na Telemar não escapou a críticas e a uma guerra interna por poder. Do lado de fora da empresa, consumidores seguiam se queixando do atendimento da operadora, que figurava entre as mais reclamadas pelos consumidores.

Do lado de dentro, Iabrudi disputou espaço com uma estrela então em ascensão: Luiz Eduardo Falco. Ex-diretor de marketing da TAM, Falco entrou para a Telemar em 2001 e transformou uma minúscula operação de telefonia celular na hoje conhecida Oi.

Pelo caminho, como era de se esperar, trombou com o presidente da Telemar, Iabrudi, a quem se reportava no papel, mas não na prática.

Esta foi uma das maiores guerras por poder a que o mundo dos negócios brasileiro assistiu, no final da década passada. Em um determinado momento, Iabrudi submeteu a área de telefonia móvel ao seu controle. O contra-ataque foi a demissão de uma série de executivos ligados à telefonia fixa, o bastião de Iabrudi.

O expurgo foi apresentado como um civilizado corte de custos e de sobreposição de funções, mas o mercado o interpretou como o avanço de Falco na estrutura da Telemar. O motivo foi simples: na maior parte dos cargos, quem foi eliminado era da telefonia fixa. Eram os aliados de Falco galgando poder. Iabrudi deixou a presidência da Telemar em 2006 com seus resultados questionados pelo mercado e por parte dos donos da operadora.

Nova chance

O executivo teve outra passagem por uma grande empresa entre o final de 2007 e o início de 2012, quando foi levado pela GP Investimentos à presidência da mineradora Magnesita, conhecida por seus produtos refratários.

Lá, o executivo atacou em duas frentes. Primeiro, cortou custos. Somente nos primeiros meses de sua gestão, 25% dos funcionários saíram, seja pelo plano de demissão voluntária, seja por cortes mesmo. Iabrudi vendeu ativos não diretamente relacionados ao foco do negócio e terceirizou funções.

Mas sua maior tacada foi a compra da alemã LWB por 657 milhões de euros. O negócio catapultou a Magnesita, na época, da décima para a terceira posição no ranking dos produtores de refratários.

Balanço

O ponto é que nem todos os números da gestão de Iabrudi à frente da Magnesita foram positivos. É verdade que a receita líquida da empresa saltou de 861,709 milhões de reais, em 2007, para 2,319 bilhões em 2011 – o último ano cheio de Iabrudi na empresa.

O outro lado, porém, é que o lucro líquido caiu de 108,794 milhões de reais para 98,550 milhões no mesmo período – com direito a um prejuízo de 32,541 milhões em 2009, e a um lucro de 92,344 milhões em 2010.

Até aqui, a trajetória de Iabrudi equilibra-se entre conquistas e alguns resultados que não impressionaram os analistas. Os cortes de custos que promoveu nas empresas pelas quais passou surtiram efeitos, é claro – mas não a ponto de colocá-lo no hall das celebridades. Se for mesmo confirmado como novo líder do Pão de Açúcar, terá a chance de passar pela prova dos nove.

 

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