Eurozona aguarda votação de fundo de resgate na Eslováquia

11/10/2011 14:31

O porta-voz do Parlamento eslovaco, Richard Sulik (centro), abre a sessão desta terça (AFP, Samuel Kubani)

BRATISLAVA, Eslováquia — A Eurozona aguarda com expectativa nesta terça-feira a votação no Parlamento da Eslováquia, que pode bloquear o fortalecimento do fundo de resgate europeu - uma arma chave para evitar um contágio da crise da dívida.

A Eslováquia é o único dos 17 países da Eurozona que ainda não aprovou o plano para reforçar o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), que pretende ajudar o setor bancário do grupo, muito exposto à crise da dívida.

As posturas estão tão divididas na Eslováquia - um dos países mais pobres da União Europeia (UE) - que a primeira-ministra, Iveta Radicova, condicionou o futuro de seu governo à votação do FEEF.

"Anunciei a meus aliados da coalizão que a votação de hoje sobre nosso futuro na Europa será uma teste de confiança para nosso governo", disse Radicova.

O apoio deste país de pouco mais de cinco milhões de habitantes definirá o futuro da Eurozona e da UE.

A meta é acelerar a busca por uma solução à crise que possa ser debatida na reunião da UE de 23 de outubro e apresentada ante o G20 (grupo de potências industrializadas e emergentes) em Cannes (sul da França) nos dias 3 e 4 de novembro.

A coalizão de governo da Eslováquia tem 79 deputados em um total de 150, mas 22 pertencem ao SaS, um partido liberal e eurocético. Seu líder, Richard Sulik, considera que os eslovacos são muito pobres para pagar por erros alheios e se nega a votar a favor do FEEF, exceto se a Eurozona aceitar que a Eslováquia não pague sua parte de 7,7 bilhões de euros.

Um voto negativo da Eslováquia bloquearia os mecanismos de resgate financeiro aprovados na reunião de cúpula europeia de 21 de julho.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, exortou nesta terça-feira em Bruxelas aos governos europeus a tomar "decisões claras" para solucionar os problemas da dívida.

Uma das principais prioridades dos países europeus neste momento é a recapitalização dos bancos mais expostos, com a finalidade de evitar uma propagação da crise no setor bancário, principalmente nos países mais ameaçados como França, Espanha e Itália.

A Eurozona tem "a vontade política" de superar a crise, afirmou em Hanoi a chefe do governo alemão, Angela Merkel, dois dias depois de reunir-se com o presidente francês Nicolas Sarkozy.

A reforma do fundo de resgate, um mecanismo criado em 2010, aumentará sua capacidade para 440 bilhões de euros e concederá mais poderes para oferecer créditos ou comprar dívida pública dos países em dificuldades nos mercados secundários.

Os dirigentes europeus aceitaram o fato de que a Grécia não poderá manter-se sem que seus credores perdoem uma parte muito superior a prevista de sua dívida, o que obriga a injeção de capital nos bancos da Eurozona para evitar um "tsunami" financeiro.

Na segunda-feira à noite, o chefe dos ministros europeus de Finanças, o luxemburguense Jean-Claude Juncker, admitiu a possibilidade de um desconto para os credores da Grécia.

Os europeus esperam que nestes dias a Troika - credores internacionais da Grécia (União Europeia, Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional) - apresentem um relatório positivo que dê luz verde à ajuda a Atenas.

Assim, a Grécia poderá finalmente receber o último lote de 8 bilhões de euros (10,920 bilhões de dólares) do primeiro plano de resgate à Grécia, de 110 bilhões de euros, aprovado em maio de 2010, o que dará um certo alívio a suas finanças.

O plano implica em duros cortes e enfrenta fortes resistências da população grega, que nesta terça-feira protestava bloqueando as dependências ministeriais e fechando uma importante refinaria, antes de uma greve geral convocada para 19 de outubro.

Juncker reconheceu que até agora a gestão da crise da dívida e em particular da dívida grega "não havia sido boa". "Não fomos suficientemente rápidos, já que os mercados financeiros reagiram mais velozmente que os líderes políticos", declarou.

O diagnóstico de Juncker coincide com o do ministro das Finanças brasileiro, Guido Mantega, que na segunda-feira afirmou que "os europeus sempre demoram em dar soluções e, quando chegam, chegam tarde".

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