Crise na Europa e desânimo com Fed afetam mercados

14/12/2011 10:41

Déborah Costa   (dcosta@brasileconomico.com.br)
14/12/11 09:29

Mercado vai monitorar durante o dia o resultado dos leilões de títulos públicos da Itália e Alemanha

Mercado vai monitorar durante o dia o resultado dos leilões de títulos públicos da Itália e Alemanha

Os problemas em torno das economias da Zona do Euro seguirão no foco dos investidores nesta quarta-feira (14/12), mas dessa vez com uma cautela adicional em relação aos Estados Unidos.

O quadro no velho continente continua o mesmo. A falta de medidas concretas no curto prazo na última semana para os países em dificuldades do bloco continua pesando nas bolsas de valores mundiais.

E neste sentido, as ameaças de algumas agências de classificação de risco assombram os investidores.

Na véspera (13/12), a Moody's colocou em revisão a nota de crédito de oito bancos espanhóis e duas empresas de holdings, para possível rebaixamento.

Também no pregão passado, a informação que a Espanha emitiu € 3,443 bilhões em títulos de dívida a 12 meses, com uma taxa média ponderada de 4,05%, abaixo da rentabilidade implícita de 5,022% animou os agentes.

Por isso, o mercado vai monitorar durante o dia o resultado dos leilões de títulos públicos da Itália e Alemanha.

Na caso da Itália, o Tesouro colocou nesta quarta-feira no mercado € 3 bilhões em obrigações a cinco anos, mas a taxa média ponderada foi de 6,47% ao ano, até 2016, um valor recorde, acima dos 6,29% fixados num leilão com as mesmas características realizado há um mês.

Passando para os Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve na véspera a taxa de juros entre zero e 0,25% ao ano.

O estímulo econômico aguardado pelos investidores não foi anunciado e declarações da autoridade monetária geraram cautela nos mercados.

O banco central americano afirmou que a situação nos mercados financeiros globais continua a representar riscos significativos para as perspectivas econômicas do país, destacando ainda a elevada taxa de desemprego. 

Diante do cenário, Octavio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, afirmou em relatório que "refletindo incertezas sobre as emissões de dívidas da Alemanha e Itália a serem realizadas hoje, e na ausência de anúncio de novas medidas de estímulo monetário após a reunião do Fomc, as principais bolsas mundiais operam no campo negativo".

Mas na Europa, há pouco, o movimento era indefinido. O DAX, em Frankfurt, cai 0,68%, em Paris, o índice CAC-40 perde 1,39%, enquanto em Londres, o índice FTSE 100 cresce 0,42%.

E na Ásia, os principais índices acionários fecharam no vermelho. Em Tóquio, o índice Nikkei diminuiu 0,39%, ao passo que o índice de Seul perdeu 0,34% e o mercado perdeu 0,50% em Hong Kong.

Nos Estados Unidos, por sua vez, os índices futuros não definem tendência. O Nasdaq, termômetro de tecnologia, perde 0,07%, seguido pela alta de 0,18% do Standard & Poor's 500 e do índice Dow Jones, que também sobe 0,13%.

Na agenda americana, o mercado espera o anúncio de alguns indicadores econômicos, como os preços dos bens importados e exportados, solicitações de empréstimos hipotecários e estoques de petróleo.

Internamente, o Ibovespa deve acompanhar o ambiente externo incerto e recuar, segundo Barros.

Na sessão passada, o índice acionário doméstico fechou em alta de 0,26%, aos 57.494 pontos.

No mercado de câmbio, o dólar comercial sobe 1,18% nesta manhã, cotado a R$ 1,871 na compra e R$ 1,873 na venda.

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