As 10 empresas que mais levaram prejuízo em 2011

11/04/2012 17:28

Levantamento da Economática mostra as empresas com os piores resultados do ano; com perda de quase 1 bilhão de reais, Gafisa é a primeira do ranking

Marcela Ayres, de
 

1. Gafisa

Como consequência de uma profunda reestruturação, a Gafisa fechou 2011 com um prejuízo de 944,8 milhões de reais. Em 2010, o retrato foi outro: as contas terminaram no azul, com lucro líquido de 416 milhões.

A empresa atribui o vultoso rombo aos ajustes de 889,5 milhões de reais realizados ao longo do ano. Quase 70% desse valor foi empregado no redirecionamento da Tenda, incorporadora de baixa renda comprada em 2008. Com custos revisados para cima, multas por atrasos nas obras e clientes inadimplentes, os negócios da divisão vinham impactando sucessiva e negativamente o balanço da Gafisa.

Daqui para frente, a empresa espera não ter que lidar com as consequências da pesada faxina. Em teleconferência a analistas, Duílio Calciolari, presidente-executivo da Gafisa, afirmou que novos ajustes não estão no radar da companhia.

2. Fibria

Impactada pela variação do câmbio e pelo menor preço da celulose, a Fibria registrou um prejuízo de 872,6 milhões de reais em 2011, ante lucro de 603 milhões obtido no ano anterior.

Como a empresa exporta a maior parte do que produz, as oscilações do dólar têm reflexo imediato no seu balanço. No quarto trimestre, a moeda norte-americana se desvalorizou em 0,69%. No mesmo período, a Fibria apresentou um prejuízo de 358 milhões de reais. Além disso, a empresa fechou 2011 vendendo a tonelada de celulose a 730 dólares, valor 16% inferior ao observado em 2010.

Os investimentos de capital da empresa serão reduzidos em 2012, com grande parte dos recursos aplicados na manutenção das operações.

3. Gol

No último trimestre do ano, a Gol sofreu com a desvalorização do real, grande responsável pelo aumento de 23,2% no custo de combustível. Outro fator que pesou no balanço da companhia foi a despesa com a devolução de cinco aeronaves Boeing 767, algumas com rescisão de contrato.

A digestão da Webjet também cobrou seu preço . As dívidas da empresa, comprada em julho do ano passado, somavam 215 milhões de reais. No fim das contas, a Gol terminou o ano com prejuízo de 751,5 milhões. Em 2010, a empresa lucrara 214,2 milhões.

Para reverter o quadro, a Gol anunciou que irá cortar drasticamente os custos. Até dezembro, a meta é reduzi-los em 500 milhões de reais. As mudanças já parecem ter começado. Até agora, 131 funcionários foram demitidos. Pedidos voluntários de desligamento e adesões à licença não remunerada também foram registrados.

4. Marfrig

Depois de um lucro de 146,1 milhões de reais em 2010, a Marfrig perdeu 746 milhões de reais no ano seguinte. O motivo, ressalta a empresa, foi a apreciação da variação cambial sobre o saldo da dívida em dólar, avaliada em 780,7 milhões de reais.

Por outro lado, a companhia teve receita líquida recorde em 2011, atingindo 21,9 bilhões de reais, alta de 37,8%. Em agosto deste ano, a empresa espera concluir a integração das plantas da Brasil Foods, parte do acordo imposto pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica para aprovação da fusão entre Sadia e Perdigão.

No total, serão oito fábricas de alimentos processados, oito centros de distribuição, além do arrendamento de uma planta de suínos e a incorporação de marcas como Doriana, Rezende, Wilson e Tekitos.

5. Rede Energia

Em 2011, o prejuízo da Rede Energia cresceu nada menos que 86,5%. Com aumento dos encargos relacionados às dívidas e sofrendo o impacto da valorização de 12,6% do dólar no ano, a empresa perdeu 688 milhões de reais.

A Rede Energia também associa o resultado ao pagamento de juros e multas, principalmente em relação à controlada Celpa, distribuidora de energia no Pará que entrou com pedido de recuperação judicial. Essas despesas somaram 348,85 milhões de reais. 

Hoje, as nove distribuidoras da Rede Energia atendem 578 municípios de estados como Mato Grosso, Tocantins, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais.

6. Braskem

Sexta colocada da lista, a Braskem acumulou prejuízo de 525,1 milhões de reais em 2011. A diferença é gritante em relação a 2010, quando a empresa apresentou um lucro líquido de 1,88 bilhão.

Entre os motivos apontados pela Braskem para a deterioração dos resultados estão a queda da demanda pelos insumos petroquímicos, a crise na Europa, no Oriente Médio, e, mais uma vez, o câmbio. Hoje, mais de 70% da dívida da empresa está atrelada ao dólar.

Em 2012, a Braskem colocará o pé no freio. Serão 1,7 bilhão de reais investidos nos negócios, 400 milhões a menos que o desembolsado no ano passado.

7. Cobrasma

Antiga produtora de material ferroviário, a Cobrasma encontra-se em uma situação no mínimo curiosa. Com ações valendo atuais sete centavos, a empresa apresentou um prejuízo de 497,9 milhões de reais em 2011, mais de 100 milhões superior ao rombo do ano anterior.

Segundo balanço apresentado no fim do ano, a receita de janeiro a dezembro foi de apenas 53.000 reais. No mesmo período, não foi feito nenhum investimento, mas as atividades operacionais consumiram 6,1 milhões de reais, devidamente financiados. Não por menos, os papéis da empresa sofreram na bolsa. Em 2011, o mergulho das ações foi de 52,9%.

8. OGX

O prejuízo da OGX foi de 482,1 milhões de reais em 2011. A empresa de petróleo de Eike Batista também apresentou resultado negativo em 2010, quando perdeu 135,5 milhões.

O aumento das despesas com exploração e a redução da receita financeira líquida contribuíram para a perda registrada no ano passado. Em 2012, acompanhia promete entregar de 40.000 a 50.000 barris de óleo diariamente. Por ora, a produção no campo de Waimea, no litoral do Rio de Janeiro, segue em fase de testes.

9. Springs

A Springs Global, holding criada para controlar os negócios do ramo têxtil da Coteminas no Brasil e Estados Unidos teve prejuízo de 409,9 milhões de reais, ante perda de 22 milhões no ano anterior.  

Em 2011, o aumento significativo do algodão foi repassado aos consumidores do grupo. Nos Estados Unidos, o processo demorou a chegar à outra ponta da cadeia. Com contratos longos fechados com varejistas, a empresa teve que esperar para reajustar os preços. Como resultado, amargou uma queda abruta da margem dos artigos comercializados.

No Brasil, o repasse foi imediato, seguido por uma diminuição no volume de vendas. No fim das contas, a Springs decidiu vender ativos nos Estados Unidos e reestruturar o parque fabril brasileiro.

10. MPX

Outra empresa de Eike Bastista fecha o ranking dos piores resultados de 2011. O prejuízo da companhia energética MPX foi de 408,5 milhões de reais. No ano anterior, a perda havia sido de 24,8 milhões.

Também em fase pré-operacional, a MPX atribui o resultado à montagem da estrutura de operação das usinas e ao desenvolvimento do projeto integrado de mineração na Colômbia. O custo financeiro da captação de 1,4 bilhão de reais no mercado também afetou o balanço da companhia.

Para este ano, a MPX prevê que as usinas Energia Pecém e Itaqui, movidas a carvão mineral, entrem em operação ainda no primeiro semestre.

 

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